13/01/2007

Solidariedade na REDE

Imigrantes carentes em São Paulo obtêm nova forma de encontrar compatriotas

O nigeriano Beiruk Nwabasili vive há 26 anos na maior cidade do País. Ele sofre de banzo - o nome em iorubá para saudade. Em São Paulo, outros 200 mil imigrantes carentes sofrem do mesmo mal. Eles fazem parte das ondas migratórias mais recentes - como a de chineses, coreanos, bolivianos e, principalmente, africanos. Na busca de aplacar a aflição, Beiruk costuma se dependurar em cabines telefônicas, buscando contato com a Nigéria. Esse tipo de comportamento é o mesmo de milhares de outros imigrantes. Em razão dos preços das ligações internacionais, muitos têm agravado suas precárias situações financeiras.

Uma forma original de suavizar o problema acaba de ser implantada. Está em atividade o e-solidariedade, um projeto de inclusão digital para os imigrantes coordenado pela Secretaria Especial para Participação e Parceria. Os imigrantes se cadastram em um dos 158 telecentros da capital - espaços com computadores e internet gratuita - e passam a fazer parte de um banco de daods no qual constam seu nome, cidade e país de origem. Um e-mail pessoa fica disponível no portal projetofabrica.com.br/e-solidariedade. "O objetivo é que a pessoa ache compatriotas sem gastar nada por isso", diz o secretário adjunto Pedro Silveira.

A boliviana Delmy Vidal de Ribeiro, 65 anos, é uma das imigrantes que já se cadastraram. "A solidão fica menor", diz ela. Hoje, segundo José Police Neto, titular da Secretaria Especial para Participação e Parceria, os telecentros contam com 700 mil pessoas cadastradas e cerca de três mil acessos/dia. Uma boa fatia dessas conexões já é ocupada por imigrantes. "Crianos um espaço para recados, fóruns de discussões e troca de informações", define o secretário. Agora, o e-solidariedade terá uma novidade para a comunidade japonesa. Os computadores do projeto nas regiões de alta concentração de nipônicos estarão equipados com programas em kanji, o alfabeto dos japoneses. É a exclusão ficando na saudade.

Fonte: Revista Isto é